quarta-feira, 13 de março de 2013

VAZEI!...



Vazei...
Para não ver manipuladas:
A liberdade de ter passado,
A alegria de viver o presente
E a felicidade de sonhar futuro.

Vazei...
Para esvaziar-me
Da ânsia do possuir...
E lançar-me em busca
Da serenidade do ser.

Vazei...
Para conviver
Com a humanidade.
E para partilhar esperança
Com os generosos e carentes.

Vazei...
Para evitar
A quase inevitável
Perda da luz interior
Que me faz ser.

Vazei!!!
Para demarcar o território
Da minha dignidade...ora!

Montes Claros (MG), 15-11-2011
RELMendes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um Arcanjo escritor




Não é sandice afirmar:
Quem calaceia desavisado
Pelo Corredor Cultural...  
( lá no fundo da Matriz)
Corre o feliz risco
De se defrontar por lá
Com um Arcanjo escritor,
Cujo nome é Raphael Reys!...

Esse escritor Arcanjo
Esbanja, sem economias,
Discretos sorrisos acolhedores
A todos os viandantes da praça,
Cumprimentando-os sempre
Com generosa gentileza...

E depois de orvalhar
De ternura o ambiente,
Se esvai, sutil e sereno...
A fim de se reabastecer
De divinal inspiração...
Para compartilhá-la
Prazerosamente
Com todos os que
  (ansiosamente)
Esperam o seu retorno
A cada novo alvorecer!...


Montes Claros (MG), 20-01-2013
RELMendes  
  

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sempre ao amanhecer





Para eu me deleitar por inteiro,
Basta-me só um pouquinho de amanhecer...
Mas pra eu me extasiar completamente,
Preciso esparramar o olhar sobre a aurora,
E contemplá-la rasgar a longa saia estrelada da noite,
Que, desavergonhada, se permite violentar...
Pelo alumiar do dia...

Montes Claros (MG), 01-02-2013
RELMendes 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Realejo encantado




Realejo!... Realejo!...
Quantos acordes deste
Aos meus roubados beijos...

Realejo!... Realejo!...
Agite-me novamente a alma...
Com teu melancólico solfejo,
Pra que eclodam as sementes
De minhas doces lembranças...     
A exalar um intenso cheiro
De todas as minhas saudades...

Realejo!... Realejo!...
Libera só mais uma vez
Teus inefáveis mantras melodiosos...
Pra sei lá!...
Virem à tona!... À memória:
Todas as lembranças gostosas d`outrora!

Ah! Toca!... Solfeja!... Assovia!...
Ó indiscreto realejo,
Porque quero saber agora
Com quem me lambuzei de amores outrora...

Oh! Instigante realejo,  
Ao som dos teus melódicos acordes...
Tudo o que foi ainda... é!
E tudo o que está por vir
Já me envolve com o perfume...
Que exalará dos cheirosos futuros amores...

Montes Claros, 22-01-2013

RELMendes 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Colares ornados de verdes mares

(Mimo á cunhada Cida Colares Mendes)


-“Colares” há, aos montes:
Uns extravagantes, pois brilhantes á beça
Outros opacos ou assaz transparentes
Até os de neon absolutamente reluzentes!

-Mas “Colares” verdes...verdes pra valer,
Que nem os mares de minha terra distante
(Fortaleza Ceará Brasil)
Só os ornados com os verdes olhos da Cida...
Que além de limpidamente verdes, a olhos vistos,
Assaz sedutores e sobremaneira envolventes...
Que bem o diga meu irmão Carlinho.
(Carlos Mendes na verdade!)
Pois logo ao espiá-los frente a frente outrora
Apaixonou-se profundamente por sua Cida
E sem hesitar mergulhou em seus verdes
Olhos encantadores bem como em seu coração
(amoroso e valente)
Sem a menor pretensão de lá emergir nem hoje
Nem amanhã nem tampouco, jamais!

RELMendes – 22/01/2013



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A saga de amor de uma “Sempre-Viva” do agreste



-Dentre as muitas/ mimosas/ “sempre-vivas”/,
Que/ graciosas/ enfeitam a rústica paisagem
Deste amado sertão /agreste/
Há uma que/ por ser/ de todas/
A mais formosa /singela e corajosa/
Não hesitou em desabrochar/ luminosa/
No famoso jardim dos ressabiados /Mendes/
Pra orná-lo de alegria...aos borbotões/
E orvalhá-lo de ternura...aos montes!

-Com porte... e nome /de rainha...
Altiva/Beth palmilhou /sonhadora/ ..
Por entre Rochas e Mendes/
Polvilhando-os /a todos/de esperanças.

-E porquanto/ e muito mais/ainda/Beth/
A luminosa “Sempre-Viva” do agreste/
E seu namorado /quase sempre/ emburrado/
Foram tecendo/pouco a pouco/ sua saga de amor:

- Pelo lago sereno de seus olhos /enamorados/
Navegou/ encantado/ meu irmão Charles
(Por nós cognominado:- o cabo véio da Beth),
Por quem /até hoje/ os sorridentes /olhos/
Dessa luminosa “Sempre-Viva” /do cerrado/
Marejam/vez por outra/ lágrimas/ preciosas/
De uma interminável saudade...

Montes Claros, 24-01-2013
RELMendes


domingo, 27 de janeiro de 2013

O Complexo Eu


                
Da poesia nasceste...em mim,
Ó liberdade tão ansiosamente anelada,
E como se foras o único encanto...
De uma utopia infantil,
Busquei-te...desvairadamente,
Sem dar-me conta das muitas ausências...
Que em meu ser...cedo ou tarde,
Frementes,  aos montes, plangeriam-me ...  

E aí, então,  a solidão...
- Saudade das muitas ausências- presentes-
 Far-me-á  declamar versos de lamentos:

-Oh! Canto o inexplicável...
Sinto o injustificável...
Capto a alegria da esperança,
Mas acho que me perdi,
Porque os perdi ao relento...
Oh, meus amado rebentos!

-Oh! Falo, digo, reclamo...
Mas não compreendo-me...
É  um anseio vazio constante
De tantas  presenças ausentes
Que em mim passeiam...
-Maltratando-me sem pena nem dó-
Perco-me na solidão...
Desespero-me de saudades...
Desejando ser eu e nós juntinhos,
Em mim mesmo,
E no universo das criaturas...

Montes Claros, 30-01-1976

RELMendes

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Questionamentos



-Libertei-me...verdadeiramente/
Ou sou apenas um pierrot/aos prantos/
A desnudar sua agonia /por aí afora?!

-Houve cartarse/ aos borbões/
Ou somente negações/inúteis/
 Foram regurgitadas/por mim/aos montes/
Nos desvãos de minh’alma plangente?

-Ah! Não sei! Não sei!
 Só sei que/neste em mim agora/
Percebo apenas que sou um poço de mágoas...
A exumar-se d’alma em busca de acalanto/
E pronto!

RELMendes SAMPA  05/01/1991