domingo, 28 de abril de 2013

Acróstico: Sabedorias..... ou Saliências?!...




Se o teu sensual sopro, quase suave brisa,
Abrasa-me a alma, as narinas e o arrepiado cangote,
Bem me quedo ledo, ao teu perfumado hálito,
E, por ele acariciado, enfermo de amor...
Debruço-me sobre teu excitado ventre nu, e...
O perfume de tuas entranhas ávidas, inebria-me!...
Reviram-se então os olhos, esbugalhados e matutos,
Imersos na volúpia e nos sôfregos suspiros, por saliências tantas...
Alço vôo, e aquieto-me em êxtase, e....... adormeço....
Suscitem sempre: Saliências muitas!...... 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Livros: “Caminhos Encantados”...



Livros...
Ah!...Quanto eu os amo!

-Folheio-os...
Da primeira a ultima pagina,
Sempre cuidadosamente 
-Leio-os...de cabo a rabo,
Sempre rapidamente
E com muita curiosidade
-Releio-os...capitulo por capitulo,
Sempre lenta e atentamente.
-Ingiro-os...ávido!
-Saboreio-os...ledo!
-Rumino-os...monasticamente,
Como se fora eu um monge
A relembrar textos sagrados
Por horas e horas a fio

Ah!...Sempre os afago...
Carinhosamente
Sempre os manuseio...
Delicadamente,
Até as raias da saliência...ora!

Portanto... Ouso dizer:
Ah! Livros...livros!
Eu sou mais gente,
Porque... Amo-os!
Eu sou mais humano,
Porque... Leio-os!   

Montes Claros, 19-04-2013

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Garimpei no meu peito pétalas de gentileza!



Hábil em fazer faxina
Nas gavetas da memória,
Onde desleixado escondo
Gratas lembranças de tempos
Hoje já bem distantes,
Surpreso,sempre descubro
Interessantes figuras humanas
Como a da querida babá Alexandrina
Que tendo acalentado minha mãe,
Também foi marcante referência
Na primeira etapa da minha vida.

Já passou da hora
De revelar ao mundo a generosa figura
De tão carinhosa flor-mulher,
Que durante a vida inteirinha
Só se dedicou a criar e a amar
Filhos de matriarcas,
E não os que dela eram.

Agora, vou apresentá-la ao mundo
Neste andor de versos
Carregado pelos fortes braços da gratidão,
Já que nos gostosos braços dela
Saboreei ternas gentilezas maternas,
Que nem no recôndito de sua alma
Ela jamais almejou cobrar
Qualquer retribuição!...

Avexado...
Apresso-me em recolher
As pétalas de gentilezas
Que ela delicadamente semeou
Lá no tempo em que eu desfiava alegre
A infância que ligeira passou:

-Lágrimas birrentas?!...
Ah! Eu as recolhia logo
Após ela me acalentar
Com o sincronizado e lento balanço
Dos seus fartos e macios seios,
Que generosa a mim oferecia;

-O meu adormecer deslumbrado
Com as belas histórias
Acerca da vida dos avôs maternos
Que ela, por repetidas vezes,
Não hesitou contar;

-Ela saciava a fome da meninada
Com um tal bolinho capitão
 (arroz, feijão, banana prata e farinha d’água)
Que amassava na palma da sagrada mão; 

-Ah! E aquele suave cheiro agradável
De flor de laranjeira?...
Ela o conservou
Até mesmo depois de partir
Pra perfumar o céu
Ao se transmutar
Em reluzente estrela...

Oh! Essas perfumadas pétalas de gentileza
Eu corajosamente
As garimpei no meu peito
(com uma sagaz bateia)
Lá onde em segredo
As escondia da saudade
Que sempre traz consigo
A inconsequente, e maldosa tristeza!...  

Agora...
Já transmutadas em versos
As postarei desnudadas à vista de todos,
Pendurando-as ledo,
No varal em que costumeiramente
Publico todos os meus poemas...


Montes Claros(MG), 23-03-2012
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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Volúpia


(Apenas versos de um contador de causos)




Oh! Beija-me agora
  (Como o fizeste outrora!...)
Ainda que me core a face
O rubor do contentamento...,
E brilhem-me os olhos
Como os de pombos saciados
 (Junto aos cursos d´ água)
Que se rejubilam ás ciliares margens,
Na relva fresca... 

Oh! Beija-me agora...
  (Como o fizeste outrora!...)
Ainda que só
Por mais uma vez ainda...
E ledo, ( no remanso de tua saliva doce)
Deleitar-me-ei  no perfume de alvos lírios
Que de teus molhados lábios de mel, exala!...

Oh! Beije-me agora,
  (Como o fizeste outrora!...)
Antes que a paixão de Eros
Cegue-me a visão de teus escarlates lábios – romã,
 (Que para meu coração, vê-los é sempre dia de festa!)
E a saciedade da ânsia de meus desejos
Silencie a poesia desses meus voluptuosos versos...

Oh! Beija-me agora
Como o fizeste outrora,
E...basta!

Montes Claros (MG) , 11-04-2013
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domingo, 7 de abril de 2013

O perfil da juventude em mim



Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Posto que moço feito de quintais
E jardins de rolinhas e hortaliças
Mas que pensava viver cidade
Bordada de madrugadas envolventes
E de dias laboriosos enfim

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Mas moço que vivia mente alhures
Posto que se perdia em ouvir
As bachianas de Vilas Lobos
E se inebriava ao som
Dos Beatles e dos Rolling Stones
Quando não se pegava
Nas asas da imaginação
A caminhar displicentemente  
Pelas calçadas das avenidas
Dos Champs Élysées
Da luminosa Paris
Da iluminada Edith Piaf
Que tanto encantava a mim  

Apenas um moço do interior
Isso era fato em mim
Moço que fez a hora acontecer
E chegara á Sampa empregadora
De mala e cuia
Sem lenço nem documento
Mas cheinho de esperança
E com muita disposição ao trampo
Pra realizar seus tantos sonhos
E tudo mais enfim

Montes Claros (MG), 17-09-2007

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