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sábado, 26 de setembro de 2015

O percurso da vida...

    (Sob o olhar de um homem de TEATRO)
-Lá com seus botões
O homem de TEATRO
Rumina devaneios:

-Ó meu menestrezinho em chegada
Se concluída a tua gestação demorada
A natureza a ti te infrinja a abandonar
O aconchego quente do útero materno
E se isto a ti em nada te apraza...
Então eu te proponho
Veementemente
Que ainda no proscênio desta vida
Protestes gritando
E protestes aos berros!...

-Entretanto...
Se perceberes...logo que do parto
Nessa terra te derrames estrebuchando,
Que neste mundo agitado
Não há outra saída
Senão viver
E viver artisticamente
Então prova tua existência...gritando,
E gritando aos berros!...

-Mas se desde a tua concepção
Tão desejada
És tu tão ansiosamente esperado
Então vem depressa!... Vem logo!
Porquanto de curiosidades
Perco-me em ansiedades

-Mas se vieres agorinha mesmo
Se me mostrares o teu rosto
Ainda oculto,
Contar-te-ei um segredo
Ao pé do ouvido
Então olha só! O meu delírio
Cá tão somente entre nós
Outro não é senão o de ver-te
Atuar no dia a dia
Pelos incontáveis tablados desta vida
Verdinha verdinha
Fazendo reflorescerem
Em mim,
Tantas emoções escondidas

-Portanto...coragem!
Vem depressa! Vem a pés em chão!
Pois aqui um mundarel de gente
Espera-te...ansiosamente
E tem pressa á beça...ora!  

-Lá com seus botões,
O homem de TEATRO
Pensou ter ouvido
Sussurros abusados:

-Olha só aqui...
Seu teatrólogo impertinente!
Presta bem atenção!...
Se versátil será o meu ofício
De futuro menestrel,
Saiba que tanto mais ainda
O será o semblante
Inconstante e volúvel
Do meu rosto a chegar
Entretanto...se mesmo assim
Te dá gosto conhecê-lo...de imediato,
Então escolhas ai
Na ladainha...abaixo,
Aquele que mais do teu agrado seja:

-Um rosto dolorido...
-Um rosto tristonho,
-Um rosto espantado...
-Um rosto assustado,
-Um rosto empalamado...
-Um rosto faminto,
-Um rosto multimascarado
Como é devido
A um verdadeiro artista.
Ah! E quiçá quem sabe então
Este rosto ai tão versátil
Não seja aquele do teu maior agrado?!

-Lá com seus botões,
O homem de TEATRO
Sem economias,
Esbraveja intrépido: 

-Ah, seu desaforado menestreuzinho!
Presta atenção aqui, digo-te eu!
Se a ti eu te estimulei insistentemente
A perder a sagrada invisibilidade,
Foi tão somente porque tenho pressa
Em introduzir-te no profundo segredo
Da sublime arte de interpretar.
Portanto larga de ser besta
E apressa-te a interpretar
Com talento á beça,
Todos os personagens
Que te serão ofertados...
Pois se o tempo e a vida
Ligeiros se esvaem pra todos,
Eu ainda vivo pretendo ver-te
Interpretar e alçar voo ao sucesso
Antes que para mim
Se apaguem os holofotes,
Se cerrem as cortinas
E, de súbito, se me calem os aplausos
Que a mim tanto me aprazem... ora!      


Montes Claros (MG), -24/07/2012

RELMendes

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ANTEPAROS

Eita trem oportuno sô!
Então a pés em chão
Sem pestanejar se quer
Sim´bora lá  saber
Do que se trata
Esses anteparos enfim
Vez que são tão oportunos
Ao cotidiano de nossa vidinha
Nem sempre verdinha
Verdinha... ara!

Se mingau quente
Sempre se come
Pelas beiradinhas...
Pra não se queimar a língua
Ui!... Então é preciso ter
Muita precaução
Antes de degustá-lo... ara!

Se o tal príncipe
Encantado
Pode ser apenas
Um sapo sem eira
Nem beira...
Ou um terrível vilão...
Ui!... Então é preciso ter
Muito cuidado
Antes de aconchegá-lo
Ao peito apaixonado... ara!

Se no reverso da historia
A tal bela princesinha
Pode não passar
De uma arengueira Malévola...
Ui!... Então é preciso ter
Muita cautela
Antes de agasalhá-la
Ao coração seduzido... ara!    

Se água de coco
Industrializada
Pode ser apenas
Salmoura...
Ui!... Então é preciso ter
Muita circunspecção
Antes de bebê-la... ara!

Se nem tudo que reluz 
É ouro...
Ui!... Então é preciso ter
Muita atenção
Antes de adquiri-lo... ara!

Se quem dá festa
Todo dia
Morre mendigo...
Ui!.. Então é preciso ter
Muita ponderação
Antes de fazê-las ... ara!

Se até os deploráveis pichilecos
Ocorrem onde jamais
Deveriam acontecer...
Ui!... Então é preciso ter
Muita cautela
Na hora da eleição... ara!

Putzgrila!... Se assim é então
D´ora avante sem perder
A ternura jamais...
Revistir-me-ei sempre
De muita cautela
Muita ponderação
Muita atenção
Muita circunspecção
Muito cuidado
Muita precaução
Etc etc... ara!

Ah! E d´ora em diante também
Sempre antes de tudo
Que precipitadamente
Agora eu pretenda fazer...
Tenham por certo
Que indubitavelmente
Lançarei mão de todos
Esses muitos anteparos
E de tantos outros que ainda
Por acaso houver
Porquanto pretendo
Deliberadamente
Evitar quaisquer desagradáveis
Aborrecimentos futuros...
Né não sô?

Montes Claros- MG, 18-08-2015
Romildo Ernesto de Leitão Mendes
(RELMendes)

     

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Por aqui dá pra acabar de chegar... ora!


-Chegar aonde criatura?
Aonde quer que se queira... ara!

-Chegar onde se esconde a essência
De mim mesmo... Ora:

- À mesa aonde se partilha
O pão nosso de cada dia...
Quentinho quentinho...

- Á porta do amigo aonde se aninha
A amizade verdadeira...

- Aos braços da mulher amada
Aonde me aconchego a cada dia...
- À varandinha de minha vivenda florida
De ipês coloridos e açucenas azuis
D`onde contemplo os arrebóis
Dos alvoreceres da vida...

- À beira de um corregozinho qualquer
Aonde se possa abluçionar-se...por inteiro,

- À pracinha de uma igrejinha qualquer
Aonde...sob o clarão do luar,
Se possa passear...de mãos dadas,
Com todas as nossas lembranças enfim...

 -Oh! Quão incontáveis são os aonde,s
 A se chegar ,então, quando se tem
 Uma alma gentil de poetinha apaixonado
 Por essa vida gostosamente vidinha... ara!

Montes Claros- MG 24-07-2015
RELMendes


sábado, 18 de julho de 2015

O silêncio falante

Fascina-me e fascina-me 
porque apascenta os tantos eu,s de mim
Portanto...
Indubitavelmente,
É fato que sempre que desejo
Falar com D-e-u-S 
Ou mesmo que quando apenas
Só queira ficar a sós comigo mesmo
- ainda que por um tempinho 
qualquer que seja -
Nunca deixo de me valer
Desse tal silêncio tão falante...
E ao submergir-me em seus mistérios
que nunca hesitam em permear-me
por inteiro... 
Ele o tal silêncio falante
Em total sigilo
- Enquanto me silencia a contento - 
Acintosamente 
Defronta-me... 
Tanto... com uma longa procissão
De meus eu,s em breus
Oh! Quão grande constrangimento
Por apenas só alguns instantes... ora!
Quanto também... com uma imensa 
Fila indiana de meus eu,s em luzes
Oh! Quão grande contentamento
Quase perene... ora!

Por fim...

Se os meus eu,s em breus
São apenas espinhos de caquitos
A ferir-me a alma gentil
Não há em mim nada 
Porquê nutri-los enfim!
Quanto aos meus eu,s em luzes
Se me dão rumo à vida 
E aos céus de nós viventes
Ara! Que sejam sempre muito bem-vindos!
Ufa! Haja coração silente 
Pra ouvir esse silêncio tão falante... ara!

Montes Claros- MG 15-07-2015

RELMendes

sábado, 11 de julho de 2015

Amor serenado

(O partner da felicidade)
Verdadeiramente,
No rápido valsar da vida 
Outro partner melhor não há
Senão aquele tal amor serenado
Que se vai tecendo
Dia após dia
Delicadamente,
Pelo desenrolar 
Da vida inteirinha 
De auroras a auroras
De crepúsculos a crepúsculos
Vez que a transbordar de ternura
Sempre nos orvalhará
Generosamente
De muitas gotinhas de felicidade plena
E também de muitas conchinhas
Carinhosas... ora bolas!

Montes Claro –MG, 08-07-2015
RELMendes

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Poeminho das descobertas

-Nem toda noite
 É enluarada
-Nem todo amanhecer
 É bordado de auroras
-Nem  toda paixão
 É passageira
-Nem tudo o que sou
  É pertença só minha
-Nem toda caminhada
 Me conduz à felicidade.
 Ara! Mas tenham por certo
 Que vou continuar caminhando
Ah, se vou?! 

Montes Claros-MG, 29-06-2015
RELMendes


quinta-feira, 25 de junho de 2015

O último poema!

Ouça!

Apagando o crepúsculo
A tarde findou às pressas.

A noite ainda menina
Se derramou dos versos
Na enseada do adeus
Argentando-a de clarão do luar.

O meu barquinho
Lentamente,
Singrou mar adentro
Sem avisar a ninguém.

E eu... Ah!
Eu vestido só
De mim mesmo
Simplesmente parti
Sem acenar a mão
Aos versinhos singelos
Que vieram ao cais
Se despedir de mim.
Mas que desconsideração ara!

Montes Claros MG, 10-05-2015
RELMendes 


domingo, 21 de junho de 2015

Fecunda instabilidade

(um pouco de mim e de todos nós, enfim...)

-E vamos que vamos
Porque...lá acolá,
O mundo inteiro nos espera...enfim!

-Dizem que sou instável
Claro!...  E porquê não sê-lo? 
Nasci à beira do mar...
E de marola em marola
Num constante vai e vem
Despejo-me...sem censuras,
Nas areias da vida
Vida que jamais serenou em mim
No enfrentamento corajoso
Das vicissitudes do dia a dia

-E vamos que vamos
Porque...lá acolá,
O mundo inteiro nos espera...enfim!

-Ah! Sempre anelei ser precursor
(Do que virá...obvio!)
Sempre ansiei trazer à tona
O escondido no pretérito e no futuro.
Por quanto sei que sempre magoei  
E fui magoado enfim
Entretanto tenham por certo
Que penso e sempre pensarei
Que de “mãos dadas”
Será bem mais fácil
De se percorrer o tão anelado
Caminho da felicidade...
Que sempre é bordado de nós
( E mais nós!)
E nunca...tão-somente
Jamais de mim sozinho.

-E vamos que vamos
Porque...lá acolá,
O mundo inteiro nos espera...enfim!

Montes Claros (MG), 13-06-2006

RELMendes

domingo, 14 de junho de 2015

Quem quer espantar a tristeza, Há de ter tempo, sempre!


Quem quer espantar a tristeza,
Há de ter tempo, sempre!

-Tempo de agradecer o dom da vida...
Tão inenarrável, porquanto... Esplêndido!

-Tempo de colher as surpreendentes
Surpresas de Deus que...a cada momento,
 Inebriam-nos, abundantemente...

-Tempo de se encantar...extasiados,
Com o resplendor inebriante
De alvoreceres sempre bordado
De auroras fulgurantes...

-Tempo de...sem pundonores algum,
 Querer-se bem a si mesmo
 E a todos...a seu derredor,
 Com muita ternura...e alegria,

-Tempo de se alegrar com o reboliço
 De crianças e passarinhos
 A se despertarem, jubilosos,
 Com o novo amanhecer...

-Tempo de acalentar a paz...
 Primeiramente, em si mesmo,
 Para depois semeá-la mundo afora...

-Tempo de se embalar nos braços
Do novo amor que...inesperadamente,
A nós se achega...bem devagarinho,
Sem dizer a que veio,
Nem tampouco de onde veio...  

-Tempo de se inebriar com o crepúsculo
Prestes a acontecer com a inevitável
Chegada da noite...bordada de estrelas,
 E tudo mais, enfim.

Montes Claros- MG 14-06-2015
RELMendes


sábado, 22 de novembro de 2014

Paixão ensandece!



Ah! Da paixão
 Não há como acautelar-se...
 Porque acontece
 Quando menos se espera
 E arrebata-nos às plagas
 Do desassossego
 Do ensandecimento
 Do despautério
 Da loucura mesmo...
 Então, rodopiamos...
   - desvairados! -
 Ao derredor da dita criatura
    - apaixonante! –
 Pra aspirar-lhe o hálito
    - inebriante! –
 Pra devorar-lhe os lábios gélidos
    - de prazeres inenarráveis! -
 Pra entrelaçarmos as línguas ávidas  
 Como se fôramos beija-flores
     - sedentos! –
 A sugar...das papoulas,
 O néctar...saboroso e vital,
 Que lhes dá sustança
 E ativa o frenético balouçar
 De suas asas irrequietas.

Montes Claros (MG), 12-11-2014
RELMendes