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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Louvação ao dia a caminho

Um sussurro poético a Daniel
Bem do jeitão sertanejo

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

Sendo assim... por gentileza,
Ó meu derradeiro pimpolho
Desperta desperta
Ligeirinho ligeirinho
Vem cá depressinha
E vamos que vamos caitituar
Esse lindo raiar do dia
A caminho... sô!
Porquanto quero muito
Sussurrar a ti...
Neste momento,
Em segredos tantos
Alguns versinhos singelos
Que falem das inenarráveis
Belezas da vida matinal
Que nesta hora do dia
Abusadamente despontam  
Generosas e abundantes
Pelos campos vales
E campinas verdinhas
Verdinhas

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Portanto... só por curiosidade
Ó meu derradeiro pimpolho
Faz-me agora companhia  
E caminhemos...
A pés em nuvens,
Por este amanhecer afora
- Quiçá até bem lá acolá além
   Que nem mesmo sei eu
   Bem lá onde... ara!-
Mas... despreocupadamente,
E sem aperreio algum
Pra não espantar
Essas belezas do alvorecer
Que regularmente ocorrem
No arrebol da aurora... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-À vista disto...
Ó meu derradeiro pimpolho
Se a ti isto te apraz
Espia espia...
Agorinha mesmo
Sem avareza alguma
O sol a dourar o horizonte
Ainda sombreado de noite
Em retirada...
Porquanto raiara o dia
A caminho... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Aliás...
Ó meu derradeiro pimpolho
Neste momento singular, 
Se bem a ti te aprouver enfim
Arregales bem estes teus olhos
Sonolentos e dorminhocos
E espia lá... aos confins,
Um belo campo de girassóis
Balouçantes e rodopiantes
A se contorcerem suavemente  
Ao sabor das rajadas
Do vento da manhã
Em busca da luz radiante
Do sol nascente... ora!

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!
 
-A propósito...
Ó meu derradeiro pimpolho
Matutamente,
Peço-te também ainda
Que não percas a chance
De fartar-te por inteiro
Com a beleza indescritível  
Dessas borboletinhas
Multicoloridas e bagunceiras  
Que ora já despertas
Tresvariam ás margens
Desse riachinho displicente
Que percorre agilmente
Seu curso rumo aos confins
A borbulhar...
Suas águas cristalinas
Que nem lágrimas
De criança contrariada... ora!

-Ah!... E se ainda
Do teu agrado for
Ó meu derradeiro pimpolho
Então acocora-te por aqui
Á sombra desse pequizeiro
Em flor... 
E ponha-te a espiar
Por horas a fio  
De esguelha ou acintosamente
O vôo... bólido e balanceado,
Dessas buliçosas andorinhas
Que a trissar... lá das alturas,
Voejando coreografam cenas
Ligeiras e sincronizadas
Como se fossem elaboradas
Por bailarinas aladas

-Eta alvorecer lindo
 Da gota serena sô!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... sem hesitar,
Esse lindo raiar do dia
A caminho sô!

-Por fim... olhem só!
Alanceados de encantamentos
Que a nós sertanejos
Nos transcendem
A alma... o coração e olhos
- marejados de riachinhos
- enfeitados de girassóis
- bordados de andorinhas
  etc etc e tal!
Então matutamente
Cá nos quedamos nós
A esperar um novo raiar
Do dia a caminho...
Que por decerto vira
Indubitavelmente
Novamente amanhã... ora!

Ah!... Então vamos que vamos
Caitituar... também,
Esse novo lindo raiar do dia
A caminho sô!

Montes Claros(MG), 23-06-2002

RELMendes

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Uma humana referência da ternura de Deus A se derramar totalmente por este Sertão afora

Pe. Henrique Munaiz Puig CJ

,


-Este, todo o Sertão... O ama!
Este, todo o Sertão... O conhece!
Portanto, falar de Pe. Henrique: 
- É falar de uma vocação abençoada...
  Porquanto é santa e fecunda!
- É falar de um chamado especialíssimo...
  Porquanto é feito em prol desse Sertão que sofre!
- É falar de uma convocação oportuna...
  Porquanto é feita à mãos que ajudam!
- É falar de uma criatura profundamente humana...
  A quem o “Criador” e, todos nós amamos...
  Sem economias!...

-Então vamos falar desse “homem de Deus”
(Por quem nutro uma admiração profunda)  
Com muita imaginação poética
E com bastante carinho filial... Ora!

-Em um certo dia qualquer...
De bem antigamente,
Em sendo...sorrateiramente,
Pelo “Amor ”...seduzido,
E obviamente, também, escolhido
Para ama-lO...incondicionalmente,
E para todo o sempre...servi-lO:
- Um certo jovenzinho...espanhol da Galícia,
A pés em chão de pronto...de todo o coração,
Aderiu ledo a esse “Divino Apelo”...

-E sem perder tempo algum, então,  
Ele, imediatamente, se pós
A percorrer confiante o caminho
Que o capacitaria a ser do “Altíssimo”...
Um servidor exímio...

-E em assim sendo, a Seu tempo
“Deus” foi tecendo...pouco a pouco,
Cuidadosamente...
O missionário jesuíta
Que “Ele” sonhou
Que o Pe. Henrique fosse...
Aqui pelas bandas
Desse distante Sertão robusto...

-E embora, hoje em dia, mesmo sendo  
Um sábio padre ancião...
Com um simples aceno de mão,
Ele ainda prossegue a espargir
A envolvente ternura de “Deus”...
Que, dele, abundantemente exala...
Sem avareza alguma...
Por onde quer que ele passe...caminhando,
Rumo ao Carmelo Maria Mãe da Igreja...
Aonde exerce suas funções pastorais
De bondoso e fiel capelão...

-E tal qual ele o fazia...outrora,
Em sua juventude já distante...  
Por todo o percurso do seu dia a dia intenso,
A todos ele vai cumprimentando
Pelo caminho, sem restrição alguma:
-Aos sem eira nem beira...
 Ele os trata como filhos amados
 Vez que são o Cristo que sofre
 A peregrinar por esse mundaréu
 De meu Deus afora...
-Aos abastados pela riqueza...
 Ele os acolhe como irmãos queridos
 Vez que formam consigo...  
 O grande cortejo da imensa procissão
 Dos que também são filhos amados 
 Do “Divino Pai Eterno” etc etc

-Ah! Este é o Pe. Henrique...
O jesuíta missionário sertanejo,
Que Deus sonhou que ele fosse
Pra evangelizar essas plagas distantes
Desse Sertão agreste...ara!   

-Por fim, pra concluir essa singela louvação
A esse santo “homem de Deus”...
É bom também se trazer à baila...
Alguns outros preciosíssimos detalhes
Da iluminada vida de Pe. Henrique,
Que a meus olhos de sertanejo católico
São sobremaneira importantes...  
Então, vamos lá:
- Ele declaradamente expressa  
  Sua grande predileção
  Pela Santíssima Virgem Maria...
  A Mãe do Verbo encarnado de Deus,
  A quem ama de todo coração...

- Ele é um cristão todo Jesuíta
  Vez que, em religião, é filho de Sto Inácio de Loyola
  E é, talvez, daí, donde, certamente, lhe venha
  O seu grande zelo e imenso amor
  À Santa Igreja Católica, enfim...

-Pe. Henrique é, verdadeiramente, um catrumano...
  Porque abriu trilhas e mais trilhas
  Pra evangelizar todo esse amado Sertão
  De meu Deus querido...

-Ah! Não há como se negar, também:
- Ele é...verdadeiramente,
Um dos tantos tesouros
Da Santa Igreja Católica...
Bem escondidinho...
Cá pelas bandas
Desse nosso Sertão robusto
De meu Deus querido...
Pra matutamente nos conduzir...
Sem pestanejar sequer,
Lá pra donde Deus fez
Sua morada santa... Amém!

(Mt 4,18-22)

Montes Claros (MG), 13-08-2015
Romildo Ernesto de Leitão Mendes


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Por aqui dá pra acabar de chegar... ora!


-Chegar aonde criatura?
Aonde quer que se queira... ara!

-Chegar onde se esconde a essência
De mim mesmo... Ora:

- À mesa aonde se partilha
O pão nosso de cada dia...
Quentinho quentinho...

- Á porta do amigo aonde se aninha
A amizade verdadeira...

- Aos braços da mulher amada
Aonde me aconchego a cada dia...
- À varandinha de minha vivenda florida
De ipês coloridos e açucenas azuis
D`onde contemplo os arrebóis
Dos alvoreceres da vida...

- À beira de um corregozinho qualquer
Aonde se possa abluçionar-se...por inteiro,

- À pracinha de uma igrejinha qualquer
Aonde...sob o clarão do luar,
Se possa passear...de mãos dadas,
Com todas as nossas lembranças enfim...

 -Oh! Quão incontáveis são os aonde,s
 A se chegar ,então, quando se tem
 Uma alma gentil de poetinha apaixonado
 Por essa vida gostosamente vidinha... ara!

Montes Claros- MG 24-07-2015
RELMendes


terça-feira, 28 de julho de 2015

Queixumes de um forasteiro


-Olha só:
Embora outro interesse
Eu não o tenha...
Senão o de espiar
Bem longamente
O que há de belo
Nas veredas
Dessas bandas de cá...
Mas mesmo em assim sendo,  
Cá...por estas plagas sertanejas,
Sou apenas um forasteiro
Peregrino...
Sem espaço algum
Nas varandinhas floridas
Das vivendinhas
Dos desconfiadíssimos nativos
Dessa região tão bela...

-Olha só:
Entretanto...não obstante,
Quer queiram ou não...
Matutamente,
Contemplei e ainda contemplo  
Encantado:
- A belezura de suas lindas cunhatãs
Cheirosíssimas...
- O garbo encantador de seus catopés
Rodopiantes...
- A graça inenarrável de seus caboclinhos
Saltitantes...
- O sapateado...compassado e forte,
Da marujada festeira
Garbosíssima...

-Olha só:
Matutamente...
Ouvi e ainda ausculto,
Enternecido:
- Os cantares melancólicos
Das noturnas serestas
Maviosas...
- O belo som dos acordes
Das violas plangentes
Apaixonantes...
- O dedilhar sublime das divinas mãos
De Raquel Crusoé...que ao piano
Embala-nos a alma embevecida  
Com seu brincar de sons
 Inebriantes...
-O solfejar enternecedor  
De Beatriz Azevedo
Que ao infinito nos conduz
Fascinados...

-Olha só:
Matutamente,
Deliciei-me e ainda delicio-me:
- Com um farto prato de feijão tropeiro,
 Saborosíssimo!...
- Com um farto prato de arroz
Com pequi e carne de sol,
Apetitosíssimo...
- Com uma gamela cheinha
De pão de queijo quentin...quentin,
Gostosíssimos...

-Olha só:
Matutamente,
Inebriei-me e ainda inebrio-me
- Com seus alvoreceres dourados
Belíssimos...
- Com seus crepúsculos incandescentes
Maravilhosos...
- Com suas noites bordadas de estrelas
Encantadoras...
- Com o clarão de seus luares
Prateadissímos...
 
Ara! Incontáveis outras belezuras
Desse encantador sertão amado
Eu ainda as teria à beça
Para contar-lhes, sem pundonores algum...sô!
Entretanto...hoje não,
Hoje não escreverei mais nada...
Nem tampouco me queixarei
Mais de coisa alguma,
Porquanto... tal façanha,
Eu só pretendo fazê-la 
Só depois de amanhã... ora!     

Montes Claros (MG), 21-11-2011

RELMendes

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Num é que o poeta tinha uma certa razão!




Mal o sol desponta avermelhando o horizonte do sertão, em uma cidadezinha qualquer do interior... o burburinho de vozes da vizinhança , a zuada de seus rádios mal sintonizados nas emissoras locais e o cantar dos pássaros, acendem ruidosamente o novo dia prestes a nos ofertar bem devagarzinho suas singelas surpresas sempre tão corriqueiras...
       O cacarejar das galinhas soltas pelas ruas a ciscar a cata de sua sustança matinal. Os homens buchicham, ora aos berros ora aos sussurros, sobre assuntos do universo masculino – lorotas e mais lorotas...  As mulheres da vizinhança a tagarelar umas com as outras sobre a mesmice do cotidiano: - Já fez o café?  -Me dá um cadim aí, porque meu gaz acabou e estou sem açúcar e sem dinheiro pra comprar.  – Ocê viu isso, aquilo e aquil’outro? E a tagarelice se espalha que nem erva daninha...desde o alvorecer até o cair da noite que costuma esconder surpresas quase inenarráveis de tão descabidas as vezes: - arroubos amorosos por detrás de muros a despencar; tramas políticas regadas de maledicências ao sabor de pequi e feijão tropeiro; segredos desvelados de madames sexualmente generosas e daí por diante... até todos se apagarem ébrios de sono, ou pelo excesso de cachaça ingerida... ou pelo tédio próprio de qualquer cidadezinha do interior. Ah! O dia seguinte será exatamente igual ao dia anterior. Enfim, como disse Carlos Drummond de Andrade: “Eta vida besta, meu Deus!”
Desculpe-me amado poeta, mas que a gente gosta disso...
Ah se gosta!

Montes Claros (MG), 07-2014
RELM