domingo, 5 de agosto de 2012

Lúcia



( um sonho primaveril!...)



-Subitamente...
A sala toda se iluminou, 
E como que do nada
Ela apareceu radiante
E esfuziante
Como o alvorecer...

-Bastou-me apenas o soar
De um simples cumprimento dela
Pra que eu me envolvesse...por inteiro,
Num intenso clima de sedução...

-Então...não hesitei!
Encantado.....
Ofertei-lhe a passarela
Dos meus sonhos
Para que...nela,
A desfilar faceira...
Fizesse-me derramar pleno
De sublime fascinação...

-O espelhar de seus lindos olhos...
Verdes ou azuis,
( não sei bem definir),
As suas mechadas madeixas loiras...
E o seu magnífico porte
De saborosa potranca
(Ah, meu Deus!)
Já justificavam o seu esbanjar...supremo,
De tanto encantamento...

-Ela era...e quiçá ainda o seja,
Uma "nouveau riche" extravagante:
No falar, no agir,
E em seu modo... ora terno, ora agressivo,
De gostar ou de amar enfim...
Era verdadeiramente um diamante bruto,
- Lá de Andradina...interior paulista -
Que jamais se deixava lapidar por ninguém...

-E porquanto...Lúcia...ainda hoje,
Faz-se tão forte lembrança em mim...
Que chega até a iluminar a praça da apoteose
De minha desvairada imaginação...
E como nem a batuta do tempo
Conseguiu dissipar... sua tão bela presença,
Do baú de minhas recordações...
-Que insistem em preservá-la
No âmago do meu ser enfim -
Então, eu lhe fiz esses versos...
Para que...se os lê,
Saiba que eu nunca a esqueci...



Montes Claros(MG), 05-01-2012
RELMendes


sábado, 4 de agosto de 2012

Inesperada Alegria




Chegou sem ser esperada.
Transpôs a parede das mágoas...
Desfez o medo do medo,
Limpou-me da incerteza...
Destampou a vasilha
De minha ternura...

Agora...
O desânimo é coragem,
A lágrima triste, sorriso de esperança,
A tristeza, alegria que se derrama...
A velhice precoce,
Juventude generosa...

Oh, alegria de ser alegre!
Meu canto...
É o teu encanto...
A tua esperança...
É minha força...
Teu regaço...
É onde repouso...
Teus olhos são...
A luz do meu caminho...
Tua voz...
É o sussurro da minha paz...

Ah, eu pensei saber
Quando não sabia!...
Achei conhecer...
Sem jamais ter vislumbrado...
Agora...
Porque ti fazes presença,
Que se dane o resto!...
Já que  pretendemos...
Estar juntos para sempre...


São Paulo (SP), 18-10-1984
REL Mendes


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Colhendo delicadezas...


                                       ( do dia a dia)

-Ao atentar-me do galopar da vida...
Percebi que os dias se esvaem ligeiros,
À parecença d’água pelas mãos recolhida
Que goteja...rápida e despercebida,
Por entre os vãos dos dedos entreabertos.
                                                                                    
-Então... Antes que a finitude da vida
Determine o término de meus dias,
  (sem nenhum escrúpulo!)
Vou tratar de sorver...ávido,  
Cada momento alegre da vida
A ser vivido...

-Ah! Doravante...então,
Cerzirei...apressado,
Todos os retalhos de alegria...
Para conseguir, rapidamente,
Fustigar coisas “miúdas”
Que me impedem degustar o regalo
De envolver-me, totalmente,
Naquela colcha de ternura
Que...a cada dia, embrulho-me.    


Montes Claros (MG), 19-01-2012
RELMendes                                 




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Faíscas de saudade



-Abrasado de saudades...
Sorrateiro... Abeirei-me
Daquela estação...lá no pretérito,
Só para envisgar-me
Em caras lembranças d’outrora,
Que teimosas...ainda hoje,
Acalentam... sobremaneira,
Meu compassado caminhar incerto.

-Ah, o trem da minha juventude!...
Ele se deslocava...vagaroso,
  ( Preguiçosamente!)
Chacoalhando...chacoalhando,
Trazendo ou levando, levando e trazendo
Alegria saudades esperanças, dores até...   
Mas sempre tentando chegar a algum lugar.

E porquanto, ainda hoje...aos solavancos,
Ele expele abusadas faíscas de saudade...
Que vez por outra penetram pelas janelas
Do vagão de minh’alma saudosa,
E sempre chegam lá...no imo de mim,
Aonde se escondem as recordações
Que não as pretendo revelar... Jamais!


Montes Claros (MG), 0 4-12-2011
RELMendes

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vem



      

Teus cabelos são mechas de mel.

Teus olhos, azuis ou verdes, me fascinam.
Teu corpo franzino repousa no meu regaço.
    (e o meu no teu!)
Tua ausência é sombra de tristeza.

Então... vem!
Para que sintamos
O beijo da madrugada,
O último piscar de nossa estrela,
O calor do primeiro raio do sol,
E, por fim, ledos...
Desfrutemos o derradeiro suspiro
De nossos corpos satisfeitos.

São Paulo (SP), 22 de março de 1984
RELMendes