sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lucidez Poética


-Se é verdade que ao envelhecer
Meu rosto perdeu o viço da juventude
- Porque os rastros da ancianidade o marcaram -
Também é verdade que não esmaeceu em mim
A intensidade de meus tantos sonhos juvenis
Que ainda hoje persistem os mesmos
Já degustados por esse porongo que um dia eu fui:
-Sonhos tressuados de devaneios, tantos
-Sonhos tresvariados de doces
Fantasias transitórias...a fluírem ao léu!

-Nesses setenta (70) anos já percorridos,
As rugas impiedosas plissaram-me a epiderme,
E os meus negros cabelos argentaram-se à beça
Pra iluminar-me a fronte, envelhecida, a olhos vistos.
Mas a face de garoto travesso, que em mim resplendia...
E a alma sensível de doce e generoso poeta desconhecido,
Essas, ainda hoje, em mim, fremente esplendem!...

-Ah!Se ainda ontem vivi intensamente...
Uma diversidade de emoções inesquecíveis,
Não há então por que sorver-me em prantos,
Nem tampouco por que quedar-me agora,
Em intermináveis lamentos...
Já que hoje descanso ledo por horas a fio
Num espaçoso divã orvalhado de liberdade,
Tentando poetizar profundamente...
Essa gama de saborosas emoções indescritíveis...
Que jamais as esqueci em momento algum da vida!

Montes Claros, 13-03-2011
Romildo Ernesto de Leitão Mendes

(RELMendes)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ah quem dera!



Por favor,
Dá-me depressa aquele lucivelo iluminante
Pra clarear-me de lilás a alma simples,
Que ainda em mim... vibrante esplende!
Ah! Empresta-me também alguns tons
De tua viola enluarada,
Ou os de um violoncelo qualquer
Pra eu debulhar aos teus ouvidos
A volúpia de meus versos inflamados...
E depois, se quiseres... recita-me!!!
Ah, meu Deus, quem dera!...

Montes Claros (MG), 11-06-2013
RELMendes

   
   

quarta-feira, 19 de junho de 2013

....O poeta, a verve e o poema!

                                           

                                         ...A cada poema,
        O deleite, n`alma do poeta, se derrama...
        Porque seu vagão de ledices deslancha...
        Ao encontro daqueles que ansiosos,
        Delas carecem..... ávidos!
 
                               ...A cada poema,
        O generoso vate se doa à sua buliçosa verve,
        Porque quer ofertar sonhos, fantasias
        E queixumes tantos...
        A todos que, por um motivo ou outro,
        Esqueceram-se de que o ganho se esconde
        Bem no avesso da..... perda!

                          ...Por fim, a cada poema,                            
        O que mais surpreende o poeta
        É que mesmo se encontrando este poema  
        Ainda em rabiscos,
        (lá num pedaço de um papel qualquer)
        Já se irrequieta a verve louca,
        Faminta, apressada e no cio,
        Que precipitada se põe a suplicar
        À serena musa:

        Emprenha-me de palavras tantas...
        Fecunda-me de versos muitos...
        Porque o que mais me ensandece
        É o prazer de espalhar encantamento... ao léu!   


        Montes Claros(MG), 26-05-2013
        RELMendes