sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O esplendoroso alvorecer sertanejo



Ah, gosto!
Gosto que gosto mesmo
De apreciar o sol esbugalhar
Seus radiantes olhos lá das vísceras do sertão,
Pra, de esguelha, se pôr a espiar
(Afrontosamente!)
O retraimento acabrunhado da noite
Ainda enfeitada de luar...
E bordada de estrelas reluzente
Que vão subitamente se apagando
Ao perceberem seus raios refulgentes,
Pra dar espaço ao resplendor do alvorecer,
Que amanhece-me de encantamento...
Porque dourado e radiante!

Então, feliz, estatelo os olhos ao novo dia...
E balangando-me nos ternos braços da alegria.
Acolho-o, porque quero degustar
 (avidamente!)
O pulsante ressoar da vida
Que em mim ainda mora,
Despudoradamente!...

Montes Claros (MG), 10-01-2014

RELMendes

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Na saia godê da noite vadia Ah, se hei!


Nunca bordei constelações
Nem tampouco pintei estrelas
Mas que vez por outra
Penso em pintá-las,
Ah, se penso!
Porque tenho a vaga impressão
Que desenhá-las ou pintá-las
No breu da noite escura...
Seria o mesmo que me enveredar  
Na nevoa da ingenuidade...
Até esparrachar-me totalmente
Nos braços ternos da inocência... ora!

Nunca bordei constelações
Nem tampouco pintei estrelas
Mas que vez por outra
Penso em desenhá-las ou pintá-las,
Ah, se penso!
Porque tenho uma vontade louca
De ser alumiado e iluminado
Por estrelas e mais estrelas
De preferência coloridas
Só pra saber como se sente
Uma árvore de Natal...ora!

Nunca bordei constelações
Nem tampouco pintei estrelas
Mas que hei de desenhá-las
E de pintá-las,
Ah!...Não tenham dúvidas
Que as pintarei
Nem que o faça
Apenas em sonhos....ora!


Montes Claros (MG), 13-12-2013

RELMendes

A cotovia dos Claros Montes!

(Um mimo à minha amiga, Liege Rocha!)




Vez por outra...
Mas, só vez por outra!...

Inesperadamente...
Assim como flor de primavera,
Uma cotovia pousa
Na soleira do meu solar,
E canta!... Solfeja!... Assovia!...
E fascina a vizinhança inteirinha.

Vez por outra...
Mas, só vez por outra!

Inesperadamente...
Ela se abeira
Com um violão embaixo do braço,
E é só alegria!...
Porque canta!... Solfeja!... Assovia!...
E a todos encanta!...

Vez por outra...
Mas, só vez por outra!

Inesperadamente...
Assim como uma cotovia encantada,
Ela se põe a cantar... a solfejar... a assoviar,
E a inebriar a todos...
Porque isto, o faz desde criança!...
Portanto, pra cantar...
Com ela não há se´s,
Todavia, sobram si’s e bemóis:
Dó... ré.. mi.. fá.. sol... lá... si... dóoo!

Vez por outra...
Mas, só vez por outra!

Inesperadamente...
Ela voa...
Desaparece,
E se esconde!...
E nós cá ficamos...
Com uma saudade louca dela!...

Montes Claros (MG), 17-08-2013
RELMendes


O voo do canarinho cantador!

(A Tino Gomes, o canarinho cantador do sertão)



O nosso canarinho cantador do “sertão”
Espantou-se sutilmente...
E voou... voou... voou...
Pra outras plagas bem distantes,
Por causa do seu oficio de admirável Menestrel,
E partiu... deste amado agreste norte mineiro
Pra derramar sua arte pelo mundão afora...
(Nos palcos da vida e da imensurável mídia).

 Voa... Voa... Voa...
Ò canarinho cantador deste amado “sertão”!...
Voa... Voa... Voa...
E vá, em busca donde soltar... tua voz melodiosa,
E o teu gracioso cantar...

Oh, alces o teu voo ledo,
De canarinho cantador do “sertão”
Por ai afora...
Porque simplesmente
A estrada...
E as estrelas são tuas!...

Mas, como vez por outra
Costumas voltar ao teu ninho,
Deixaremos as portas da tua casa sempre abertas
  (Sem nenhum alçapão)
À espera de tua volta,
Que costuma sempre ocorrer
A cada linda primavera...

Montes Claros (MG), 28-07-2011
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