sábado, 26 de outubro de 2013

Os sonhos não fenecem...

      (escondem-se!)



Sonhos...
Se não regados...
Fenecem...como avencas mal cuidadas!...
(ao sol causticante, ou se aguadas sem destreza)
Os sonhos?...
Ah! Os sonhos são ternos... frágeis...
Diluem-se... facilmente...
(como se fora coloridas balinhas de goma
no céu da boca das crianças)
Porque ora são apenas utopias... fantasias...
Ora dão tanto trabalho ao sonhador
Que ele finge desistir deles...
Deixando-os para lá!...
(como se fossem aqueles confetes coloridos
lançados ao léu num baile de carnaval!) 

Mas... lá no fundo,
Bem... lá no fundinho de su´alma,
Vez por outra...
Os sonhos voltam a pulular  irrequietos...
Até que desabrocham... acordam!...
(como se fossem sementinhas de flores na primavera)        
E, então, outra vez...ledos,
Lá estamos nós a correr atrás deles...
A persegui-los...
Como meninos a correr atrás de uma bola de futebol.   
Simples assim!...

Montes Claros(MG), 26-10-2013
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A precezinha do tró ló ló...

(pra quem necessita de auxilio)


Ó admirável tró ló ló das preces
A se debulhar em terços ladainhas
E louvações em cantorias
Com varias saudações lamentosas
Ou muito agradecidas
Em seus belos conteúdos
Nesse nosso vale de lagrimas

Então na travessia desta vida oremos:

Salve rainha
Mãe da misericórdia
Ò Maria mãe de Jesus
E também nossa mãe
És a mais pura flor
Da farinha humana
Ofertada a Nosso Senhor
Confesso-te:  
Desde bem pituchinho
Tu me inebrias
Ó mãe do meu Salvador

Se dentre todas as mulheres
Foste tu ó Maria amada
Por Deus a escolhida
Pra ajudá-lO a ser homem
Se de ti quis Ele precisar
Então quem sou eu ó Virgem Mãe amada
Pra prescindir
Do teu generoso auxilio
Ó doce bendita força feminina
Que pra nós gerou o Salvador
Tró ló ló, trá lá lá, Amém!...

Montes Claros (MG), 10-10-2013
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O sagaz surrupiador de beijinhos...



Ufa! Uma deliciosa idéia
Martelara-me a caçuleta
Sem pena nem dó
Durante o dia inteirinho:
Vou inesperadamente
Surrupiar-lhe um beijinho
Bem gostosinho
Ah, se vou!

Discretamente...
Na ponta dos pés...
Logo após o inebriante crepúsculo
Recolher-me-ei ansioso
Aos meus aposentos,
Colocarei as alpercatas
Empoeiradas bem juntinhas
No vão que há
Entre o chão e a cama
E ai então...
Tentarei adormecer ligeiro
Porque quem sabe assim
Ao despertar-me amanhã
Bem cedinho...
Não poderei fazer sozinho
Algumas coisinhas
Que tanto anelo:
-Amarrar os cadarços
Do meu esgarçado kichute
-Abotoar a braguilha
Da minha cirola samba canção
- Ariar os dentes
Com um bom dentifrício
Assear o rosto ainda sonolento
-Dá nó na gravata de cetim etc etc

-E por fim... Quiçá
Ao romper radiante o alvorecer...
Logo ao acordar do sol,
Quem sabe se ao despertar-me
Já não me sentirei
Um galanteador rapazinho
Corajosamente pronto
A surrupiar um rápido beijinho
Daquela coleguinha de sala
Que tanto me encanta
Sem que a professorinha veja hein?!...

Montes Claros(MG), 06-10-2013
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Súplica de sertanejo sedento




-Chove chuva almejada...
Chove sem parar
Ah! Se puder bem devagarinho
Que nem leite de peito de mãe
A alimentar recém nascido faminto.

-Chove chuva anelada
Chove sem parar
Se puder bem devagarinho.
Mas que sejas persistente...
Constante e duradoura.
Se possível que nem lágrimas
De mulher abandonada
Ou que nem queixumes
De homem traído.

-Chove chuva benfazeja
Chove sem parar
Mas se puder
Que seja bem de vagarinho...
 E sempre a contento
Ou então que seja mesmo do jeito
Que ao dono do tempo bem aprouver.

-Chove chuva plantadora
Chove sem parar
Tomara que não sejas tão assustadora
Do jeito que conhecemos:
Com urros de trovões ouriçados...
Com relâmpagos reluzentes...
Com raios de neon a pipocar
Por todo lado
Com ventos barulhentos a assoviarem
Por todo canto
Fazendo muito medo a gente.

-Mas...Chove chuva benfazeja,
Chove chuva almejada
Porquanto quero sentir
Aquele cheirinho gostoso
Que exala da terra molhada.
Porque quero ouvir o barulhinho
Dos pingos d’água
A tilintarem no telhado seco da casa
E no telhado ávido d`alma sertaneja.

-Chove chuva gostosa...
Chove chuva vadia
Que fecunda a terra no cio
E que também fecunda o coração
Esperançoso do sertanejo
Que só de pensá nocê
Chove chuva,
Se lambuza todinho...
De alegria verdinha verdinha.


Montes Claros(MG)- 30-09-2013

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

...O segredo do boto cor-de-rosa!


Trê- lê-lê, Trê- lê-lê, trá-lá-lá...
Às margens do rio Solimões,
O boto cor-de-rosa
Se põe a encantar:
Moças, mocinhas,
Enfim, qualquer cunhatã...
Que nas águas turvas do rio,
À noite vá se banhar!...

Trê- lê-lê, Trê- lê-lê, trá-lá-lá...
Nas águas turvas desse rio encantado,
Nem curupira, nem saci-pererê,
Nem lobisomem, nem bumba-meu-boi,
Nem caboclo d`água, nem boitatá,
Têm mais prestigio que os botos rosados,
Que além de serem ternos e sedutores,
Sempre levam a culpa
De qualquer bucho de moça solteira,
Que se apressou em...
Trê- lê-lê, Trê- lê-lê, trá-lá-lá...

Montes Claros- 23-08-2013
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Todo dia é dia de alegria?!...


Ah, hoje mesmo... eu tô que tô!...
Porque tô um poço de alegria...

Levantei-me...
(Antes que o alvorecer espantasse a noite...)
Enchi minha mochila de esperança...
Varri de minh´alma, desventuras e desencantos...
Enfiei os dedos na miscelânea
Dos meus apetrechos de criança...
Pra pegar uma porção de coisas:
Cabeçolinhas...
Figurinhas de colecionar...
Um tantão de botões de mesa...
Pipa pra soltar...
Pião pra rodar...
Varinha de pescar...

Por fim,
Pus-me à rua...
Porque hoje estou a fim
De brincar, sorrir, gargalhar...
Como se fosse um reluzente colibri
A voar...... voar...... voar......
Brincando com as florezinhas do jardim da vida...
Que lá estão para enfeitá-la...   

Montes claros, 31-07-2013

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

...O que é tesouro, hein?!



Tesouro?!...
Deixe-me pensar!
Ah! Tesouro...
Tesouro deve ser  aquilo
Que a gente guarda lá
No fundo do coração!...

Ah, tesouro!...
Tesouro é um tantão de coisas:
As lembranças da infância...
As brincadeiras de criança...
A primeira professorinha,
O beijo roubado
Da primeira namoradinha,
Aquelas saliências...
Bem escondidinhas,
A moça bonita da esquina,
As águas refrescantes do “Velho Chico”,
E até...
Aquelas horas lançadas ao vento,
Quando a gente soltava pipas coloridas...

Montes Claros (MG), 11-08-2013
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