terça-feira, 28 de outubro de 2014

Tributo à mulher sertaneja



Mulher sertaneja...
Abrasa-me de paixão
teu jeito faceiro de ser
teu cheiro gostoso
de azeite de mutamba
teu vestido de chita estampado
de açucenas multicoloridas
tua gargalhada escandalosa
que me enrubesce de timidez
e constrangimento
tua habilidade em cozer
enternecedoras palavras de amor
tua maravilhosa alquimia de cozinheira
- sem ao menos se dar conta
  de quantas delícias faz:
- feijão tropeiro, arroz com pequi,
  pão de queijo...etc e tal! -
Ah! E, sobretudo, teu remelexo gostoso
na hora do vamos ver.
Eta trem bão sô!

Mulher sertaneija...
Abrasa-me de ternura
tua maternidade fecunda
que povoa o sertão de homens fortes
- criados com engrossados de fubá
   e  folhas de “ora pro nobis” -
e de tantas donzelas belas,
brejeiras, matreiras
e ,culturalmente, casadouras!

Mulher sertaneja...
Abrasa-me de reverência
tua figura matuta de mulher parideira
detentora implacável do poder
- no populoso gueto familiar -
vez que não te alijas jamais
da árdua labuta cotidiana
pra alimentar teus rebentos...
 - de comida e bem querer -
e assim o será até que te convoque
o inevitável pra imperscrutável
banda de lá do porvir eterno.

Eta mulher corajosa, brejeira,
faceira, trabalhadeira!
Eta mulher-mãe-sertaneja
desses confins brasileiros afora!

Mulher sertaneja, és o tesouro
mais precioso do sertão!

Montes Claros (MG), 15/10/2014
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domingo, 19 de outubro de 2014

O esperado retorno do beija-flor do meu jardim.



Ah! Quanta saudade do meu beija-flor!
Se não me engano...
ele desapareceu
na última primavera.
Bateu asas e voou
Sem alarde algum...
Bordando-me de saudade
A alma carente
de sua adorável presença

Desde, então, sempre me atento
a qualquer estardalhaço de asas
buliçosas a balouçar ao derredor de mim
- ao vento, sobre toda sorte flores -
na esperança do seu imediato retorno
pra encharcar-me de alegria
e encantamento sem fim.
.
Mas quem sabe não volte
mais uma vez ainda
lnesperadamente,
E ponha-se a bebericar
As papoulas douradas
Quaresmeiras lilases
Os jasmins perfumosos
E todas as demais flores enfim.

Ah! Se o colibri do meu jardim retornar...
Eu e meu jardim nos enfeitaremos
de lírios saborosos, de gardênias açucaradas
e transmutar-nos-emos em um lindo tapete
de “amores-perfeito”! 
Haja “amores-perfeito”!

Montes Claros (MG), 17/10/2014
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sábado, 11 de outubro de 2014

O colorido extasiante das “extremosas”!



Há quem se enterneça
ao som de violas enluaradas
Há quem se emocione
ao solfejo  murmuroso do borbulhar
de cascatas plangentes
Há quem se debulhe
em prantos de encantamento
ao despontar d’ aurora fulgurante...
Mas...não há quem não se surpreenda
face ao desabrochar das “extremosas”
que, sem farfalhar algum,
poem-se a enfeitar as ruas
e os campos nas primaveras
e nos ensolarados verões.
Encantar os transeuntes
É inegavelmente seu rotineiro ofício.
Quer rosácea quer amarelada 
ou de tant’outras colorações enfim
sempre, ao desabrocharem,
despertam olhares plenos
de encantamento sem fim.

Montes Claros (MG), 13/10/2014
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Nem “alouettes” nem poetas... Apenas passarinhos!



Penso que talvez haja algo em comum
entre passarinhos e poetas...
Ah se penso!

Contar-lhes-ei um segredinho
quase infantil...quase ingênuo...
Mas que a mim...tanto me encanta!

Certa feita li em um livro qualquer:
- Passarinhos não morrem jamais...
  Simplesmente, desaparecem...
  Silenciosamente, discretamente...
  Sem estardalhaço algum.

E desde, então, pergunto-me:
- Será porquê, hein?
Intrigado...sempre respondo-me:

Ah! Talvez isto aconteça, porque
Cantam...
Solfejam...
Rodopiam...
graciosamente,
pelos ares...a voar
displicentemente...
como os pequeninos
“alouetes”da velha Gália
de tantos poetas...

Os passarinhos...simplesmente,
Vivem, cantam, solfejam e voam...
sem jamais se preocupar
em amealhar bregueços alimentares
ou em esconder seus maviosos
malabarismos poéticos
que a nós nos deixam boquiabertos.  

Assim também o fazem...imagino eu,
os fascinantes poetas de qualquer parte
desse mundaréu afora:
Rodopiam...
- à bel prazer das inspirações desatinadas -
Brincam...
- com palavras
  como se feitas de letrinhas
  de macarrão colorido,
  aquele próprio pra se fazer
  sopa de bebês gulosos 
  ou de velhinhos salientes enfim -
Tecem...
- versinhos encantadores -
Bordam...
- poeminhos e poemões inebriantes -
Declamam...
 - a qualquer hora e em qualquer lugar:
   versinhos, poeminhos, sonetinhos, etc etc... -

Ah! E depois de recitá-los...a granel ou em atacado,
simplesmente, desaparecem... feito passarinhos
em final de colheita em arrozal, milharal, etc e tal!
Enfim, para mim os poetas são passarinhos encantados...
e os passarinhos são poetas encantadores,
e pronto...ora, sementinhas saborosas!

Montes Claros (MG), 06-10-2014
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