segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A despedida final

( Epitáfio )

-Eu quereria que fosse singela
como meus versins...
Que ela fosse discreta
como o desaparecer dos passarinhos,
- Que sempre partem...sem alarde algum,
Pois quando se dá conta...pronto,
simplesmente, já se foram...há tempos,
simplesmente, já desapareceram,
sem nenhum bater de asas...insolente,
sem nenhum solfejo estridente sequer...
- Dizem que é porque morrem de flores,
e jamais de espinhos... -


-Ah! É bem assim...como os passarinhos,
que eu almejo partir daqui...
para o todo sempre...um dia,
sem assovio algum...
sem estardalhaço nenhum...
sem sequer um bater de asas enfim...

-É isso aí...tão-somente,
o que trago n’alma de forasteiro...na terra,
e no coração de poetinha...
passarinho em arribação...

-Ah! E se alguém perguntar por mim,
Ora! Diga-lhe que me fiz canarinho do reino,
e voei serenamente lá pras bandas de céu...
A discrição e o silêncio...
Honrar-me-ão e ao passarinho que fui em mim.

Montes Claros (MG) 13/07/2016
RELMendes 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

PAI...você merece parabéns todos os dias! - Assunto de Pai prá filhos e filhas...

Foto: - Marcelo Veloso Mendes Veloso

-Pai é um ser que ama, SABIA?!
Desculpem-me os filhos e filhas desinformados,
Mas o Pai de vocês, também, os ama,
Incondicionalmente,
Tanto quanto suas queridas mães os amam...
A exceção só confirma a regra geral, pois não?!
-Ora! Quem discordar de mim...
É porque certamente nunca foi Pai!
                                                                        
-Pai sempre é uma pessoa boa laboriosa zelosa...
Que deveria ser muito querida, SABIA?!
Porque Pai não sabe amar pelas metades...
Pai, por conhecer as manhas do mundo,
Às vezes se faz carrancudo e impertinente,
Mas é só pra evitar dissabores futuros
A seus amados pimpolhos...ora!
-Ora! A exceção só confirma a regra geral, pois não?!

-Pai não costuma, mesmo,
Debulhar lágrimas copiosas
Na frente de filhos, filhas...
Nem tampouco de quem quer que seja,
Só pra mostrar aos outros
 – quer estranho ou conhecido –
O quão ele os ama verdadeiramente!
Mas se duvidam de sua plangência,
Perguntem ao travesseiro dele!
Pois tão-somente eles...
O travesseiro companheiro e o Pai de vocês,
É que sabem quantas e quantas lágrimas rolaram
Todos os dias de sua vida de Pai...
Às vezes tão-somente porque ousaram dizer-lhe
Que seus filhotes não eram tão belos quanto ele dissera,
Ou por está tão embolado em mil compromissos feitos
Só prá satisfazer os caprichos pueris de vocês, SABIA?!
-Ora! A exceção só confirma a regra geral, pois não?!

-Pai, minha gente, ama...e ama
Tão completamente, seus rebentos,
Mas...tão completamente...mesmo,
Que ,simplesmente, não hesitaria jamais
Em dar sua própria vida...sem pestanejar sequer,
Para que suas amadas crias cresçam robustas,
E sejam sempre, felizes alegres e saudáveis...SABIA?!
-Ora! A exceção só confirma a regra geral, pois não?!

-Quem bem lê a alma silente de um Pai amoroso...
Certamente não lhe expropriará jamais
A imensa riqueza que há em seus belos sentimentos
Que...constantemente, exalam-lhe dos poros d’alma
E transpiram-lhe...bem discretamente,
De seu paternal coração manhoso, repleto de amor
E transbordante de sabedoria...SABIA?!
-Ah, isto ninguém pode negar...de maneira alguma,
Ainda que por aí e por ali haja quem...covardemente,
Tente desconstruir ou denegrir essa tão generosa
E insubstituível figura... A paterna!

-Então, ó caríssimos e queridíssimos...
Filhos e filhas da Mãe e do Pai também,
Se por acaso...quiçá, quem sabe por algum motivo,
Vez por outra seus caminhos...de filhos ou filhas,
E os dele, de Pai, se desencontrarem...no percurso
De suas caminhadas do dia a dia da vida,
Ora! Não se façam de arrogantes e ingratos...
Vez que agora já sabem... O quão são amados por seus pais, 
Pois só esta arenga de percurso não é justificativa...
Suficiente e aceitável,
Para que não incluam...só  por insensatez, o Pai de vocês
No lindo jardim de vossas saudades...
E tenho o dito!

Montes Claros (MG) 16/08/2016
RELMendes

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Se você quiser, eu lhe conto!

Hoje em dia só não sabe das coisas quem deliberadamente não quer saber.
-Pois, ultimamente, temos tido a fantástica oportunidade de nos informarmos, sem dificuldade alguma, sobre quase tudo do que se passa no vastíssimo universo do conhecimento humano e científico.

-Isto porque, sobretudo nesse então em que vivemos, as “medias” - como se diz no português de Portugal - têm sido sobremaneira generosas - até demais da conta – vez que com esse “tsunami” de informações que elas, as “medias”, hora nos fornecem, tomamos, facilmente, conhecimento de coisas, coisinhas e coisonas que outrora eram restritas
 tão-somente ao âmbito do conhecimento dos “experts” nos determinados assuntos, mas isso agora  findou.
Pois, hoje em dia, graças a elas, as “medias”, seja qual for o tema ou assunto, ele se disseminará imediatamente entre nós pobres mortais.  Pobres mortais, porquanto leigos em muitos assuntos. Assim, então, elas, as medias, nos dão a oportunidade de termos um tiquinho de conhecimento sobre muitas coisas que, até então, eram totalmente desconhecidas por nós.

-Portanto, confesso, sem pundonores algum, que vez em sempre me deixo seduzir por alguns assuntos com os quais elas, as “medias,”  me abarroam a mente de curiosidades, sem pena nem dó. Essa abusada e santa insistência de todos os meios de comunicação quererem de qualquer forma  publicizar tudo a todos, é para mim preciosíssima e muito bem-vinda.
Pois, sou muito curioso...ora! E em o sendo, o que sei já sei! E o que não sei desejo muito sabê-lo!

-Então, vamos lá! De há dois ou três anos pra cá, devido à insistência das “medias” em publicizar a noção de psicopatia e psicopatas, procurei me inteirar sobre o tal assunto em sites especializados e em entrevistas dadas, por “experts” no assunto, em programas como o “Sem Censura” de Leda Nagle, o“Consulta ao Doutor”  da RIT, e o “Encontro” da  Fátima Bernardes...
Então, descobri algumas coisinhas horripilantes acerca do assunto que penso serem de utilidade pública.

-Segundo a unanimidade dos entrevistados e dos sites pesquisados, a “psicopatia” não é doença. Tanto é que sequer consta no CID10 da OMS. Portanto não há como se tratar de um ou uma psicopata. Porque não sendo doença não há tratamento algum.
O psicopata nasce psicopata e morrerá psicopata. A psicopatia se desenvolverá nele a partir de 12 ou 13 anos de idade. E por onde ele passar deixará sempre um rastro de destruição. Tanto é que, no Canadá, quando presos, e diagnosticados como tal,  os psicopatas são colocados em prisões especiais para não acirrarem, com intrigas e outros defeitos de caráter que lhes são peculiares, a fúria e a rebelião dos criminosos comuns. Como vêem é um caso seríssimo. Não há como se entrar em acordo com um ou uma psicopata.
Quem puder, fuja de perto!
Quem não puder se livrar sozinho, peça socorro!    

-O psicopata ou a psicopata está mais próximo de nós do que imaginamos: - Em nossa casa, na casa do vizinho, no nosso trabalho etc etc etc... É preciso, entretanto, que se esclareça aqui, antecipadamente, que tão-somente psiquiatras e outros “ experts” habilitados no assunto, através de uma bateria de testes científicos, têm competência bastante para dar um diagnóstico seguro. Diagnóstico de leigo, nesse assunto, é balela sem fundamento.

- Guisa de curiosidade, mencionarei aqui algumas características de um ou uma “psicopata”:

-Eloquência: - Fala demais...porque acha que não tem que escutar nada, vez que não tem mais o que aprender.
Mas, cuidado! Pois nem todo tagarela é um psicopata. 

-Egocêntrico: - Porque só pensa em si mesmo. Para ele as outras pessoas são apenas objeto de sedução e de manipulação para atingir seus PERVERSOS objetivos macabros....

-Mentiroso por excelência: - A ponto de ser chamado, no ambiente jurídico, de o enganador de juiz... Quando desmascarado, fica feroz. Perigo à vista! 

-Sedutor: - Mascaram-se sempre, de bom rapaz ou boa moça; inflam-se de gentilezas e delicadezas ao aproximarem da próxima vítima ou vítimas...

-Manipulador: - Não hesitam jamais em surrupiar, das vítimas, tudo que possuam, quer espiritual ou material... Os psicopatas, portanto, são verdadeiros vampiros do alheio.

-Impulsivo: - Porquanto não tem projeto de médio e longo prazo, quer tudo imediatamente. Quando não o consegue, é tomado de tédio e fúria.

-Irresponsável: - A culpa, para ele, é sempre dos outros... Nunca assume a responsabilidade de seus atos. Daí deixar sempre um rasto de destruição por onde passa.

-Promiscuidade sexual: - Ponto marcante de seu mau caráter!

-Desumano ou PERVERSO: - Já nasce totalmente destituído de qualquer sentimento humano. Portanto, não tem remoço de nada de mau que tenha feito a outrem.
Certamente, a PERVERSIDADE  é  o pior de seus tantos  defeitos.

Enfim, nem os animais mais ferozes são tão perigosos quanto o tal psicopata!
   

Montes Claros – 13-02-2016
Romildo Ernesto de Leitão Mendes                  


domingo, 24 de julho de 2016

A DESPEITO DA FALTA DE ASSUNTO



-Às vezes...no passo a passo dos dias,
Perco-me em vazios tamanhos...
Que até a língua esse órgãozinho...insensato,
Ora bendito...porquanto abençoador,
Ora maldito...porquanto maldizente,
Aquieta-se mercê do nada em mim...
Pois nos desvãos dos desejos de minh’alma
Sedenta de teus gemidos de prazer
Nada nesse exato agora se alberga
De útil ou de inútil,
Que a possa fazer tremular...à beça,
Quer em bênçãos ou maledicências,
Já que em mim neste então...
Nada palpita...fremente, senão desejos...
Senão um coração...carente de tuas ausências
De teus chamegos de teus afagos indecentes
E totalmente desprovido...no momento,
De violino fagote trombone saxofone
Gaita ou quaisquer outros
Instrumentos musicais...
E a caminhar sem chão...quero-te!

-Mas se quiseres...enluaro-me, apenas!

-Ah! Pra te dá prazer não me delimitarei
Por nada desse mundo:

-Finjo até que estou alegre...tão-somente,
Mas quero-te agora!
-Faço como os passarinhos...
Reamanheço-me...cantando,
Mas quero-te agora!
-Toco qualquer bandolim ou algo do gênero,
Quem sabe um clarinete ou um flautim?
Mas quero-te agora!
-Faço aragem no céu dos céus...
Em busca de um punhadinho de estrelas
Para enfeitar-te os belos cabelos encaracolados
Totalmente embaraçados ao vento...

-Mas se quiseres...enluaro-me, apenas!

-E por fim de peito aberto rasgado lavado
Tirarei dele modinhas trovinhas algo assim
E as balbuciarei aos teus ouvidos sedentos
De palavras banais ou sussurros salientes...
Acariciar-te-ei muito...lambuzando-te
Com a ponta da língua...salivando,
O pescoço o ventre as orelhas arrepiados
Enquanto a estrebuchar ensandecido de amor
Na relva no jardim na cama ou detrás dos muros...
Urro gemo estremeço-me de calafrios suspiro
E...desleixadamente, encho-me de eternidades...

-Mas se quiseres...enluaro-me, apenas!

Montes Claros (MG) 24/07/2016

RELMendes

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A tramóia de um beija-flor safadinho... Mas até os beija-flores?

Apenas uma estorinha de nada...ora!

-Só pode entender
O que balbucio...cá comigo,
-Quem que...como eu,
É abelhudo...curioso e intrometido,
-Quem que...como eu,
For capaz de perder...tempo
Em bisbilhotar...por horas a fio,
Sem olhar no relógio...sequer,
Só pra ficar curiando...
No que possa estar ocorrendo,
Bem ali, em seu jardinzinho florido...

-Veja só, o que, não raramente, tenho visto e ouvido
em meu jardinzinho lá no fundo do quintal:

 - Ainda outro dia mesmo...
Sem ser percebido...de forma alguma,
Vi...com os olhos d’alma sem véus algum...
E juro que, também, ouvi...com minhas orelhas de abano,
E com os tímpanos do meu coração sensível...
Um tal beija-florzinho brejeiro...bem safadinho,
Que - Em se sentindo mesmo o tal,
Porquanto belo e ternuroso -
Dava-se ao luxo de abarrotar...
Com seus lenga-lengas ternurosos,
As orelhinhas das florzinhas do meu jardinzinho,
Dizendo-lhes a cantar...
Enquanto saboreava-lhes o mel vital:

-Ó...encantadoras florzinhas cheirosinhas...
Desculpem-me, mas, estou invadindo
O vosso espaço existencial...
Pois, como eu não sou daqui,
Nem dali...e nem tampouco
De lá acolá...
Então, tenho por conta, cá comigo mesmo,
Que sou de todos os jardinzinhos do mundo
Aonde eu as possa encontrar...ora!

- Irrequieto, ansioso e veloz...
Ele...o beija-florzinho safadinho,
Pensou consigo mesmo:
Ah! Se essas florzinhas docinhas e cheirosinhas...
Caírem no nesse meu blá...blá...blá,
Ou minha lábia de cameló sedutor...
Ai ai ai...minha tramóia, então, dará certinho...
E aí, então: - Eu creu...no mel delas!

-Sem hesitar, ele, o beija-florzinho safadinho...
Para tão-somente entreter, distrair e impressionar
As cheirosíssimas  florzinhas docinhas,
- Enquanto, sugava-lhes o mel vital -
Forjou alguns rodopios mirabolantes...
Tentou até solfejar alguns bemóis maviosos
Com seu canto quase inaudível de duplo som,
Arrancou penas de suas asas esvoaçantes
Ao voar e voar tão rapidamente...
E fez mais o diabo a quatro pra seduzi-las enfim...

-Perguntei-lhe então:

-Mas... Senão havia outro interesse...
Que não o de surrupiar o mel vital das florzinhas,
Por que, então, tanto atabalhoamento...
Oh, seu beija-flor abelhudo?

-Então, ele empurrou-me essa resposta aqui:

-Ah, simplesmente, porque eu não queria
Despedaçar-lhes os coraçõesinhos perfumosos...
Ao revelar-lhes que meu único desejo era, tão-somente,
O de surrupiar-lhes o saboroso mel...e nada mais!

- Pois é!...  Pensando bem...não fora de toda vã essa parafernália
De performances beija-florzeiras...porque:

Ah! Elas...as florzinhas, enamoradíssimas,
Rindo-se de dentro pra fora...
Exalaram-se em perfumes...de todos os aromas,
E perderam-se em estado de poesia...viu só?!

Montes Claros (MG) 20/07/2016

RELMendes(Romildo E L Mendes)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

É bom sabermos que um verdadeiro ritual, interior e exterior... sempre precederá ao passeio de uma idosa, ou de um idoso...


-Ora! Pessoalmente eu acho que, de maneira alguma, se pode esconder ou guardar só para nós, quer numa caixa de marfim bem lacrada...ou quer lá no caritó das velhas lembranças, aqueles bons ensinamentos – respeitar os idosos, ser gentil, ouvir mais e falar menos... - que um dia recebemos de nossos pais ou de outras pessoas sábias com as quais convivemos lá pelas estradas de nossas muitas andanças na vida...

-Portanto, ainda que esses bons ensinamentos tenham sido,
tão-somente, apenas aprendidos, mas não tão completamente apreendidos em profundidade, naquele exato momento do aprendizado...
É preciso proclamá-los, em alto e bom som, aos quatro cantos do orbis...
Porque, quiçá, aqueles bons ensinamentos, que se aprendeu naquele outrora...
além de evitar sofrimentos futuros a nós mesmos e, também, sobretudo a outrem...não importa quem,
poderão, também, até prevenir, ou amenizar sobremaneira,
nesse nosso então, ou no futuro vindouro,
as nossas intolerâncias, tão descabíveis... tão mal-aventuradas,
E tão profundamente deploráveis,
que, despudoradamente...não raramente,
as regurgitamos sobre os idosos, sempre  que nos defrontarmos, no cotidiano, com a lentidão deles...em tudo.


-Então...sem pundonores algum,
Vou remexer nos altares dos meus sagrados guardados...
Para contar-lhes uma historinha que penso ser de alguma utilidade:


-Um certo dia qualquer, lá no pretérito, num diálogo com minha mãe,  aprendi que devemos sempre convidar os idosos
para sairem...passear etc e tal. Porque lhes faz muito bem à alma, e pra auto-estima...nem se fala...ora! Pois têm ainda consigo, os mesmos anelos da juventude. E mesmo que seus corpos já não mais lhes obedeçam, tão rapidamente, aos comandos de seus desejos ainda tão intensos...
Ah! Pois saibam: - Esses desejos juvenis ainda estão ali, neles,
tão visivelmente...perceptíveis, e  pululando, sem economias,
em seus escondidos quem deras...ora!

Mas, disse-me ela, também, que nunca se deve surpreendê-los
 – aos idosos - com o inesperado convite:
- Vamos sair agora?!
Porquanto, tal generoso convite pode deixá-los...
por demais constrangidos, devido suas inúmeras dificuldades
de se preparem agilmente para sair, não importa pra onde. E aí, então, o desencanto, indubitavelmente, ser-lhes-á maior que a alegria de terem sido convidados a passear...

-Olha só um pedacinho do nosso proveitoso diálogo:



-Bom dia, mamãe!  O dia está tão bonito.
Vamos passear um pouquinho?

-Sem desfaçatez alguma, ela me retrucou:

-Ah, meu filho, hoje não!

-Ainda que, correndo o risco de aborrecê-la,
Insisti: 

-Mas por que não mamãe?
A senhora precisa sair um pouquinho...
Tomar um tiquinho de sol...
É vitamina D, né não?!
E caminhar, só lhe fará bem...ora!

-Sem hesitar, ela disse-me:

-Sim...eu sei! Mas já disse que hoje, não!
Meu filho, quando você envelhecer,
Então saberá que, para uma idosa, ou idoso,
Sair de casa para passear
É muito complicado...ara!

-Mas, continuei a cutucar a onça com vara curta:

-Complicado por que mãe?
Depois a senhora reclama que a gente nunca
A leva a parte alguma...sô!

-Ela só meneou a cabeça, e disse-me :

- Meu filho, realmente eu preciso sair...eu sei disso!
Mas você precisa entender que para eu sair...
é, fundamentalmente, necessário...
avisar-me com pelo menos 24h de antecedência..ora!
Porque, aí então, eu terei tempo suficiente para:
- Tomar banho...e ficar cheirosinha;
- Lavar a barata - ( kkk influência da música: - “Pisa na barata!”...) - ; -  Escovar e fixar a dentadura com... - ( Ah, não vou fazer propaganda não!) - ;
- Pentear-me, com esmero, e ficar bonitinha;
 - Fazer minha maquilagem, e tantas outras coisas, enfim...

-Taí!... Sempre muito atabalhoado, na época, eu fui incapaz de captar a profundidade das dicas, tão úteis, que minha idosa mãezona me ofertara, graciosamente...
Que pena!
Se eu as tivesse entendido profundamente, quiçá, tivéssemos tido
a felicidade e oportunidade de passearmos mais vezes juntos...ara!
E tenho o dito!

Montes Claros (MG), 10/07/2016

RELMendes 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

SEMEANDO TRANSPARÊNCIA



-Ora,  mas que tristeza que nada!
De há muito, dei de ombros pra tristeza...
E deixei-me açoitar pelo vento da alegria,
Que vindo não sei lá de onde...
Conduziu-me...inesperadamente,
Aonde de há muito eu deveria estar:
- Nos galhinhos de uma macieira em flor,
Donde ansiosa minha amada me aguardava...
Para construirmos nosso ninho de amor...

-Mas quem de fora de mim me via...
( Quiçá alvoroçado, porquanto apressado,
Ainda que me visse rasgando os céus a voar
Ainda que me ouvisse chilreando solfejos maviosos
Ainda que constatasse com seus próprios olhos...
Derramando-me eu completamente de amor...) 
De pensar não haveria...jamais,
Que tenho...em mim, bem escondidinho...
Os mais lindos sonhos do mundo...

RELMendes  - MOC 04/07/2016


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Solfejos d’alma


Nem tanto ao céu...
Nem tanto ao mar...
A mim me bastam...
Tão-somente,
Um cadin de amor...
Um  bocadin de gentileza...
E um tantão de ternura...
Pra distribui-los ao léu...
Pois só assim a vida
Será puro amor...


RELMendes 30/06/2016

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sou Bocó...e não nego!


-Tateio as ilusões do ontem
Do hoje e do por vir...
Resvalando-me em estrelinhas
Que alumiam-me a mente de passarinho
Que...ainda em mim há, e sempre haverá...
E voo acima dos ciscos do percurso
Que tentam enfear-me ou fusquear-me
Os alvoreceres radiantes sem paredes...
Os luares argentosos a alumiar horizontes...sem fim,
E os sonhos pululantes de um poetinha Bocó
Que se encanta com a simplicidade
Que sempre se despeja...abundantemente,
No acontecer de cada dia...
Só pra encantar-lhe a alma de Bocó...

-Sou totalmente Bocó...ara!
Assumidamente Bocó...
Porque...acrescento-me de criança brincante
E de um punhadinho de passarinhos
Que conversam...entre si, bobagens...
Mas encantam a quem os ouve solfejar
Suas maviosas oralidades musicais...

-Portanto, escovo-me...sorridentemente,
E estimo-me...profundamente,
Do esgar daqueles que insistem                                  
Em não serem BOCÓS...
Privando-se assim de descobrirem
Serem as tardes parte do haver
Das belezas dos dias...
Ora!... Mas enfim, ninguém é obrigado
A ser Bocó, pois não?!

Montes Claros (MG), 18/05/2016

Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)

sábado, 11 de junho de 2016

Os ventos sopram-me saudades...


-Ah! Quanta vez na madruga...
A chamar-me...os ventos
Assoviam-me n’alma:
-Saudades dos bogarims
Que perfumavam as ruas
Da minha infância...
Tão cheia de detalhes!
-Ah! Quanta vez na madrugada
A chamar-me...os ventos
Assoviam-me n’alma:
-Saudades dos cheirinhos
Que minha mãe dava
Em meu cangote...
Quando eu a aporrinhava
Com meus calundus
De criança mimada...
-Ah! Quanta vez na madrugada
A chamar-me...os ventos
Assoviam-me n’alma:
-Saudades dos meus passeios
De bicicleta...ao entardecer,
Pra conversar com os passarinhos
Vez que meu pai não nos permitia
Tê-los engaiolados em casa...
Para ele os passarinhos nasceram
Pra voar a céu aberto sem fim...

-Ah! Quanta vez na madrugada
A chamar-me...os ventos
Assoviam-me n’alma:
-Saudades de tantas outras coisas
Que  não sei bem o quê...
Quiçá,já as tenha por esquecidas,
E nem os seus porquês...
Eu bem os sei tampouco
Mas ah pretendo sabê-los
O mais rápido possível...
Porquanto, inundam-me a alma alheia
Ah, Se pretendo!
E...bem antes de eu partir
Lá pras bandas do céu... Viu?

Porque...comigo, ah, só levarei...
Sem choramingas alguma
Aromas suaves do que não esqueci
Lá do meu pretérito de criança:
-Quiçá, saudades de mim mesmo...
Quando me derramava...menino bagunceiro,
Pelos quintais floridos da infância...
-Quiçá, saudades do que em mim eu não fui...
Porque enfim eu desejara...tanto, mas tanto, mesmo:
Ser ah como um bem-te-vi laranjeira a anunciar
Em meu terreiro, alvoreceres eternos...
Como diz Manoel de Barros:
- “E isso explica o resto.”

Montes Claros (MG), 21/05/2016

RELMendes)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Xô! Solidão enxerida


Ah! Se não quiseres
Agasalhá-la em ti...
Arlequina-te de ternura
E segue por onde
O amor fraterno te leva...
Que dá pra chegar lá
Onde o outro (teu próximo) está...
Porque esse outro...via de regra,
É fonte de muita alegria
E bastante felicidade...
Portanto...se queres espantar
A malvada tristeza...
Que a muitos já levou à morte,
O segredo é conviver e conviver!
Viu só como dá pra enxotá-la...
Bem pra longe de nós?
Então: Xô... Solidão enxerida!

Montes Claros- MG. 24-07-2015
RELMendes